terça-feira, 24 de junho de 2014

Descrônicas #1



O que é amar alguém? É se entregar de corpo e alma a essa pessoa? É ligar para ela sempre que possível e perguntar sobre o seu dia? Passar por cima de qualquer discussão a fim de se entender? Não. O amor não é caracterizado pela adoração de uma pessoa, mas sim pela coexistência de dois adorados. Qualquer coisa diferente disso, não pode ser chamada de amor. Uma relação onde uma pessoa ama, e passa por cima do próprio orgulho para estar bem com o outro enquanto o mesmo simplesmente prefere ser superior em tudo e sempre estar certo não merece ser caracterizada como amor, mas sim como escravidão. “Ai, escravidão é tão ofensivo”. Não, não é não. Uma pessoa que acaba fazendo as vontades da outra sem receber um mínimo de carinho em troca, e que não pode se libertar por estar presa a um grilhão chamado amor. São poucos os que conseguem se esgueirar e roubar a chave que está presa à cintura do seu ou sua amado (a). Uns ainda recebem ajuda de pessoas de fora, que não só estão dispostas a libertá-los, como lhes dar tudo que os faltou ao longo dessa ilusão. Nenhuma escravidão começa feia, ela sempre seduz a pessoa mais forte, fazendo-a parecer fraca.  Ninguém é fraco por amar alguém. As pessoas somente são fracas quando deixam que isso lhes impeça de viver. Prender-se a alguém não é errado, mas não faz bem. Todos nós estamos predispostos a conhecer alguém para amar, e ser feliz ao nosso lado. Mas quase ninguém pensa em achar alguém que compreenda. É isso que caracteriza uma verdadeira relação apaixonada: compreensão. Qualquer tipo de sentimento que tangencie essa ação, é um mero derivado. E você? Já decidiu se quer ficar presa aos grilhões, ou se quer uma ajudinha para roubar as chaves?

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