segunda-feira, 30 de junho de 2014

Descrônicas #6



Todos nós somos sujeitos a passar por mudanças, sejam elas por vontade nossa, sejam elas por exigência do destino. As pessoas defendem que as mudanças são benéficas, e que abrem espaço para algo novo. Mudar significa dar lugar à descoberta, ao desconhecido. Eu não gosto de pensar nisso. Mudar, dói. Ainda mais quando somos obrigados a mudar alguma coisa muito agradável, e ter que dar a vaga para algo que não sabemos o que vai ser. Essa dúvida acaba com a magia de mudar, se é que podemos chamar isso de magia. As pessoas não deveriam mudar quando estivessem satisfeitas, e isso, é meio óbvio. Mas ainda assim, dia após dias, elas são obrigadas a abrirem mão do cômodo, do casual: só para cumprir a vontade de alguém. Eu nunca fui feliz com as minhas escolhas, – assim como na crônica anterior – então eu sempre precisei estar em mudança. Se elas surtiram efeito? Quase nenhum. Se elas me ajudaram? Tão pouco. A única mudança que um ser infeliz como eu precisa, é entrar em harmonia com a sua mente. Se eu quero? Claro. E quanto a você? Já conseguiu pensar nas mudanças que você fez na sua vida, tanto por você, quanto por outras pessoas? Se não o fez, deveria começar a pensar mais nelas. “Eu não quero mudar”. Eu também não, amigo. Só que nós precisamos sair da zona de conforto que nos prende, e tentar buscar um grande talvez onde nós sequer conseguirmos imaginar se existe chão. Mas, cara, vou te contar, isso dóóóóói...

Rapidinhas #13

É, já me acostumei a essa noite
Passar horas ouvindo Renato e Cassia
Só tentando entupir os ouvidos
E não ter que ouvir você indo embora

domingo, 29 de junho de 2014

Descrônicas #5



Por que impõem escolhas a nós? Sempre devemos fazer escolhas: “o quê queremos ser quando crescer?”, “qual a roupa que vamos ter que usar em algum lugar?”, “usar ketchup ou mostarda?”. Nós vivemos das escolhas que fazemos, e das suas consequências. Existem as escolhas fáceis, as certas, e nada mais. Qualquer escolha que seja errada, não é uma escolha. Você não pode considerar coisas ruins como escolha. Nós como os "escolhedores", devemos pensar não só nas consequências, mas nos motivos que nos fazem ter essa escolha. Não sentir dor, ser feliz: todos são motivos completamente plausíveis para se escolher algo. O direito de uma escolha não é atribuído a qualquer um, por isso, aproveite quando o tiver. Mas, com sinceridade? Evite-o. Ninguém merece a responsabilidade de fazer uma escolha que vá alterar a vida não só dele, como a das pessoas à sua volta. Portanto, escolha com cuidado. Mas, acima de tudo, escolha por seus motivos, e não pelas suas consequências. A vida se resume a elas:  escolhas.

sábado, 28 de junho de 2014

Descrônicas #4



O quê significa “ser especial” para alguém? Influenciar a pessoa a desistir de coisas por você, porque você é essencial? Dar uma razão para a pessoa sorrir, mas, nos mais simples deslizes, magoá-la? É, eu nunca aprendi o que é ser especial na vida de alguém. Como todo ser humano eu cometi meus erros, o problema mor foi que isso aconteceu de mais. Na relação que existia, eu tentava de tudo para ser especial para ela. Acabou que só ela sabia ser especial para mim. Não me sinto orgulhoso de dizer isso, mas, é a verdade: eu falhei como pessoa, companheiro, e, principalmente como amigo. Nenhum de nós sabe o que fazer para virar algo importante na vida de ninguém, até porque se fosse fácil assim, eu com certeza não estaria escrevendo essa bosta. Criar laços com alguém é uma coisa, fazer desses laços a corda que impede a outra pessoa de cair, é outra. Se você concordou com essa última parte, você é bem egoísta. Não se pode fazer uma pessoa depender de você, afinal, isso é errado. Ninguém merece ficar preso a outra pessoa, por mais especial que ela seja. Ser especial significa que você faz a pessoa mais feliz do que os outros a sua volta. Significa que o simples som da sua voz, é capaz de transformar um choro em um riso. Significa que você tem o coração dela nas mãos, e precisa cuidar dele. Você não é só mais um, é peculiar, é diferente de qualquer outro ser vivo. Viu que maneiro? A pessoa te considera mais do que o travesseiro, a cama dela. E precisa tomar cuidado, se deixar ela sozinha com o travesseiro e a cama, ela vai esquecer você. Mas, você já parou para pensar na quantidade de pessoas especiais existem para você? E melhor do que isso: a quantidade de pessoas que te acham especial?

A vitrine

Eu tenho medo de andar na rua
Mas eu o faço mesmo assim
Atravesso o asfalto
Passo na frente de vitrines

Uma delas me chama a atenção
O significado do seu produto
É tão profundo quanto o mar
E tão superficial quanto o solo

Ficar parado em frente a eles
Me fez ficar maluco
Ver que não havia ninguém atrás de mim
Não me acalmou, não me enervou

Meus ombros optam por ficarem caídos
As pálpebras pesam muito
Não me importo
Não tem ninguém aqui

Eu não gosto de ser sozinho
É só que eu fiquei muito bom nisso
E essa loja de espelhos
Me faz ver toda a minha habilidade

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Orgulho

O que é ter orgulho?
É defender a sua opinião até o fim?
Discordar dos outros até você vencer?
Perder quem você ama por ser ignorante?

Ser orgulhoso deveria significar persistência
E não ser um babaca
Defender seu ponto de vista e ainda
aprimorá-lo com o dos outros

Existe a pessoa orgulhosa
Existe o ser com orgulho
Não são diferentes
Todos eles são bem chatos

Isso que você faz não é ser orgulhoso
E muito menos ter orgulho
Você é apenas infantil
E seu orgulho é o seu cercadinho

Socorro

Estou cansado
Minha cabeça nunca ficou assim antes
Meus olhos nunca imploraram assim antes
Meu corpo nunca quis desistir tanto quanto agora

Eu preciso inventar desculpas
Para não falar com você
Para não estar vivo para você
E aí então estar vivo para mim

Não sei se eu aguento mais do que isso
Eu realmente estou fraquejando
Minhas lágrimas não conseguem lavar o meu rosto
Quem dirá a minha alma

Eu preciso de uma bebida
Uma vodka pura pode ser o ideal
Não, o ideal é simplesmente
Aceitar que eu errei

É um bom começo, não é?
Só não sei se tenho forças para isso
Porque uma das coisas que eu ainda tenho
É forte demais para me deixar passar por cima
Coitado do meu orgulho

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Descrônicas #3



Passei a minha noite de ontem, lendo quase 200 páginas de um romance muito subestimado. “Quem é você, Alasca?” é um livro feito não para adolescentes com hormônios à flor da pele, mas para pessoas que buscam a afirmação de alguma pergunta. Na trama, o personagem principal é obcecado por ler biografias, e nelas, encontrar as últimas palavras de cada biografado. Ao longo das 199 páginas, pude conhecer mais gente que viveu conosco, do que se eu tivesse sentado para ler algum livro grosso de história. Esse dilema das últimas palavras me fez perder mais algumas horas de sono além das que eu investi na leitura, e me deixou com um pensamento sobre esse assunto: quais vão ser as minhas últimas palavras? Imaginar que a qualquer momento nós podemos bater as botas é algo rotineiro, mas pensar nos últimos sons que eu emitiria é algo meio incomodo. Nunca sabemos quando estaremos dizendo nossas últimas palavras. Assim como pode ser um delicado “eu te amo” para nossos pais, pode ser um sonoro “vai tomar no cu” para um motorista que não respeitou o sinal de trânsito. O que eu quero dizer é que nós nunca sabemos quando a vida irá nos deixar, e não sabemos qual será o nosso legado que será marcado pelos últimos vocábulos que passarem por nossos lábios. Toda a nossa existência poderá ser resumida à lembrança que tiverem dos nossos últimos sons. É doloroso imaginar que não temos a liberdade nem de escolher nossas últimas palavras. O pior não é não saber o que será dito, mas, para quem será dito. Assim como pode estar falando com a pessoa mais querida das nossas vidas, e se despedir com carinho, pode estar na presença de apenas um estranho que te viu ser atropelado na rua. Mas, se pudesse contrariar essa falta de escolha que o universo nos impõem, saberia quais seriam as suas últimas palavras, e para quem as diria?

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Rapidinhas #12

Já precisei chorar sozinho em um canto
Já estive na companhia de gente importante
Já tive problemas de mais em pouco tempo
Já cansei de viver no já

Descrônicas #2



Por mais que seja difícil, todos nós precisamos sair da nossa zona de conforto e então, realizar algo. Ficar preso à mesmice nunca é proveitoso, e vai criar um sentimento chamado medo que irá bater a nossa porta sempre que quisermos inovar. Já perdi muitas chances por causa do apego, e muitas delas me foram tomadas pelo medo. Hoje eu as observo com tamanha saudade, e, espero que um dia eu volte a tê-las. Uma saída que você deixa de ir, um beijo que você deixa de dar, um oi que você deixa de dizer: tudo isso pode influenciar para que você não seja feliz. “É que me fizeram pensar que assim seria melhor”. Não, só você que se fez acreditar. Ninguém pode impor uma ideia na tua cabeça, se você não quiser aceitá-la, e, por Deus, você não cansa de fazê-lo. Deixar-se manipular por pessoas más, só vai te levar ao mesmo lugar que você está agora, só que dessa vez, você estará no chão em prantos. Nenhuma pessoa nasceu para viver presa à sua zona de conforto, e muito menos a alguém. Aprenda a separar a sua vida, dos seus sonhos. Chegará a hora certa de juntar os dois, e essa hora será quando você aprender o valor de cada um. Então, vamos sair da zona de conforto? Ou esse grande sofá em que você está sentado tomando água de coco é bom demais para deixar você tentar algo novo?