segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Eu adoro ser miserável

Eu adoro os seus olhos
Eu adoro os seus cabelos
Eu adoro o seu sorriso
Eu adoro o seu aparelho

Eu adoro os seus abraços
Eu adoro os seus beijos
Eu adoro o seu amor
Eu adoro a ilusão

Eu adoro as nossas diferenças
Eu adoro a sua raiva
Eu adoro o seu grito
Eu adoro a sua ida

Eu adoro a minha solidão
Eu adoro o meu choro
Eu adoro o meu sofrimento
Eu adoro ser miserável

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Descrônicas #37 - Season Finale

Nós todos estamos sujeitos a passar por isso. "Isso o quê?". O tal recomeço que eu citei em vários outros textos, e volto a citar aqui hoje. Nenhuma relação é para sempre. Nada é para sempre. Mas existem as pessoas que gostam de nos fazer pensar o contrário, e, cara, elas são demais. Cada um desses seres tem um papel muito importante na sua vida. Uns fazem você gostar de si mesmo. Uns te ensinam a superar a dor da perda. Uns te ensinam a amar. Uns te ensinam a perdoar. Uns te ensinam incontáveis coisas. E ainda existe o caso mais raro: o que vai te fazer tudo isso. Mas, infelizmente, nenhum deles por te ensinar a não errar. Isso só depende de você, e no momento em que você fraquejar, eles vão te abandonar. Não, eles não desistiram de você. Você é quem desistiu deles. Seus erros e defeitos te fazem único, seja isso bom, seja ruim. O estrago está feito, por mais que você se arrependa. E é aí que você precisa mostrar que aprendeu alguma coisa com eles. Supere a dor da perda deles. Ame-os - por mais que não estejam aqui. Perdoe-os - independente de terem te magoado. Viva. Pode não ter sido a intenção deles desde o começo, mas, eles te fizeram tão bem que agora você pode viver em paz. Por experiência própria, aqui vai: obrigado por todo esse tempo maravilhoso e de todos os momentos gostosos - e das brigas, que guardarei apenas as reconciliações - que passamos juntos, princesa. Não consegui te salvar do mesmo jeito que fez comigo. Mas você sabe como eu sou, não é? Exatamente. Um pobre infeliz que não sabe pensar antes de agir. Sinceramente? Ela não é um concreto que me puxa pra baixo nesse oceano de depressão. Ela foi um sinalizador que eu usei antes de me afogar. Alguém vai me achar. Espero que eu me ache também. Mas, acima de tudo, espero que eu consiga aprender a viver submerso. Viver a todo custo, seja em terra, seja em água, seja em depressão. Um dia após o outro, sempre. Tudo que aprendemos com eles, e o que eu aprendi com ela, ficarão guardados. Não pense que eles te abandonaram. Até mesmo o mais sonoro Adeus pode dar lugar para o mais tímido Até logo. Eu? Eu espero que volte logo. Posso ter recebido vários Adeus, mas nenhum Até logo. No fim, eles não querem partir do mesmo jeito que não queremos que eles se vão. Aguardo ansioso pela volta dos que não querem ir.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Descrônicas #36



Quando é exatamente a hora de agir? Sair da sua zona de conforto, e adentrar a de outra pessoa? Tem a força de vontade, mas, não tem a experiência para isso. Você ficou de molho por muito tempo. Ela te sugou. Ele te sugou. Você voltou a ser apenas uma flor murcha que busca renascer.  Por que é tão difícil voltar a andar? E, antes disso, por que é difícil dar qualquer outro passo? Ninguém gosta da falta de atitude. A insegurança só é atrativa para quem consegue enxergar além dela. Você está nervoso e isso é compreensível. Mudanças no geral são difíceis, e por isso merecem ser tratadas como situações delicadas. Comece com uma pergunta sutil. Se der certo, viva esse momento de glória internamente – sem perder a compostura, é claro. Caso dê errado, apenas tente manter essa cabeça erguida. Você é especial. Você é alguém. Você é você – da forma mais perfeita possível. Ninguém pode desmerecer as suas tentativas, e isso inclui você. Apenas tente. Não precisa conseguir. Apenas tente. Tente ser feliz. Tente preencher lacunas na sua vida através de experiências novas. Apenas. Tente.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Descrônicas #35



Todos já passamos por situações dolorosas. Todos já demos a volta por cima. Todos já sucumbiram a elas. O aprendizado que nós temos com todo esse sofrimento, é um único: aprender a lembrar. Uma vez que nós aprendemos, se torna fácil saber se algo é certo ou errado com base nas experiências passadas. Um coração partido, uma mente frustrada: tudo vai resultar em aprendizado para o futuro. Mas, por que precisamos aprender desse modo? Bom, já disse de outra vez: a dor significa vida. É vivendo que se aprende. Ninguém está livre de sentir dor. Pelo menos, não enquanto estiver vivo. Na sua maioria, esses ensinamentos não gostam de discursos orais, e por isso fazem suas “anotações”. Não entendeu? As “anotações” são as cicatrizes deixadas por momentos dolorosos e qualquer outro tipo de sofrimento relativo.  Um aluno exemplar pega suas anotações e começa a estudar tudo que irá cair na prova chamada “amanhã”. Ele estará pronto para o que vier e também para o que não vier. Mas esse aluno começa a sentir pontadas no peito. As cicatrizes nos trazem essa experiência e o senso comum, mas, elas têm o pior contra da história: elas nos fazem lembrar o que as causou.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Descrônicas #34



Por que o amanhecer está tão longe de nós? Às vezes seria tão fácil, simplesmente, esperar que os dias ruins acabassem. Mas não é fácil assim, e por isso eu pergunto:  por quê? Nós cansamos de sofrer. Nós cansamos de lutar. Nós cansamos de nos cansar. Nós estamos cansados da vida e de seus adeptos. Nada é prático nesse mundo, nada é aceitável nessa sociedade. Nós estamos errados, eles estão certos. O que podemos fazer para melhorar isso? Escrever textos ridículos em um blog na internet? Chorar no travesseiro enquanto o mundo caminha do lado de fora da janela? Não. Nós precisamos lutar por tempo. Nós queremos ver a lua descer. Nós queremos ver o sol voltar. Os raios de sol irão encobrir todas as impurezas do mundo, e ainda irão purificar tudo que não seja bom. Um novo dia virá amanhã. Tudo que nós precisamos fazer é aguentar até lá. Como? Não sei. Mas de uma coisa eu sei: nunca esperei tanto pelo sol como eu espero agora.

domingo, 27 de julho de 2014

Descrônicas #33


Dias de chuva são os mais agradáveis que podem existir. Ainda mais se chover em um dia de folga de qualquer compromisso social. Seu som é um verdadeiro calmante natural, e a paisagem úmida se torna um colírio aos olhos. Por que ela passa essa impressão de algo tão sereno – hehe, entendeu? – e mesmo assim, algo melancólico? Dias chuvosos são marcados como os dias dos clipes de músicas tristes. Eu acho isso uma falta de respeito com a amiga chuva que vem se debulhar em lágrimas para nós sempre que pode, apenas para nos dar essa sensação de tranquilidade. O toque de cada gotícula de água no solo emite um som tão prazeroso que até o mais másculo homem soltaria um suspiro de alivio. Gosto desse som para ler. A leitura se torna mais agradável quando se está calmo, e mais ainda, quando se está lendo em um dia chuvoso. Gosto de imaginar o céu como uma pessoa. Uma pessoa grande, azul, cheia de espinhas por todo o rosto, – só à noite, é claro – que nos observa todos os dias de todas as horas; eu já disse grande? Como qualquer pessoa, o céu tem os seus problemas: acidentes aéreos, envenenamento do seu ar, destruição da camada de ozônio. Sabe o que o céu faz quando isso acontece? Ele chora. Essas lágrimas caem ao longo de onde estamos. Essas lágrimas causam um efeito purificador ao ar. Essas lágrimas geram muita alegria para pessoas que não tem lágrimas para beber. O céu nos proporciona alegrias através de sua tristeza. Eu sou muito grato ao céu por chorar e me ceder a inspiração para ler os meus livros, e ainda, escrever algo em sua homenagem. Chuva, você é uma das melhores amigas que um leitor/escritor por ter. Obrigado.

sábado, 26 de julho de 2014

Descrônicas #32



Às vezes chegamos ao limite. Às vezes confundimos nossas cabeças para fazê-las pensar que chegamos ao limite. Às vezes já passamos do limite há séculos, mas você faz coisas incríveis para manter a sua palavra de ir até o fim. Nossos pontos de colapso são desconhecidos por todos, e até mesmo por nós. Nós podemos estar à beira de ter um infarto, como também à beira de começar a chorar por causa de tudo que acontece. Ninguém é de ferro. Ferro não é vivo para poder representar um ser humano. Tantas vezes em que nós precisamos simplesmente gritar o suficiente para lesar toda a garganta ao ponto que não conseguiremos sequer respirar sem sentir dor. Somente nós temos o poder para decidir se algo deve ser levado ao limite, ou se deve ir além dele. Essas escolhas iram refletir em nossas vidas pelo resto de nossa existência. O simples ato de selecionar algo/alguém para nossas vidas, e ainda fazer deles indispensáveis para o nosso dia a dia, é maravilhoso. Isso é uma situação pessoal. Necessária muita confiança para que isso ocorra. Mas, e quando os nossos limites começam a pedir por misericórdia? Você está feliz sendo extremista desse jeito, mas, o seu limite não. Ele está triste, cansado, deprimido e se arrastando por aí; enquanto você brinca de se apaixonar ou de confiar. Só nós podemos reconhecer os nossos limites, e não quem chega até eles. Eles não podem ser vistos como destruidores de sonhos, e muito menos como aniquiladores de paixões. Pense neles como seus amigos, que sabem até onde você deve ir por alguém ou por alguma coisa. Ninguém está livre de passar por isso. Ninguém está livre de sofrer por isso. Apenas, concorde com os seus limites. Afinal, eles existem antes de qualquer coisa na sua vida. Não brinque de passar por cima deles. O que tem depois do limite, é a morte. Portando, aceite os seus limites, e, um dia, você conseguirá ir além deles.