domingo, 27 de julho de 2014

Descrônicas #33


Dias de chuva são os mais agradáveis que podem existir. Ainda mais se chover em um dia de folga de qualquer compromisso social. Seu som é um verdadeiro calmante natural, e a paisagem úmida se torna um colírio aos olhos. Por que ela passa essa impressão de algo tão sereno – hehe, entendeu? – e mesmo assim, algo melancólico? Dias chuvosos são marcados como os dias dos clipes de músicas tristes. Eu acho isso uma falta de respeito com a amiga chuva que vem se debulhar em lágrimas para nós sempre que pode, apenas para nos dar essa sensação de tranquilidade. O toque de cada gotícula de água no solo emite um som tão prazeroso que até o mais másculo homem soltaria um suspiro de alivio. Gosto desse som para ler. A leitura se torna mais agradável quando se está calmo, e mais ainda, quando se está lendo em um dia chuvoso. Gosto de imaginar o céu como uma pessoa. Uma pessoa grande, azul, cheia de espinhas por todo o rosto, – só à noite, é claro – que nos observa todos os dias de todas as horas; eu já disse grande? Como qualquer pessoa, o céu tem os seus problemas: acidentes aéreos, envenenamento do seu ar, destruição da camada de ozônio. Sabe o que o céu faz quando isso acontece? Ele chora. Essas lágrimas caem ao longo de onde estamos. Essas lágrimas causam um efeito purificador ao ar. Essas lágrimas geram muita alegria para pessoas que não tem lágrimas para beber. O céu nos proporciona alegrias através de sua tristeza. Eu sou muito grato ao céu por chorar e me ceder a inspiração para ler os meus livros, e ainda, escrever algo em sua homenagem. Chuva, você é uma das melhores amigas que um leitor/escritor por ter. Obrigado.

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