domingo, 6 de julho de 2014

Descrônicas #12



Por que as pessoas morrem? Por que nós todos vamos morrer? Por que é tão difícil entender a morte? Ninguém está safo da mesma, seja vindo buscar-nos, seja vindo buscar quem nós amamos. As pessoas gostam de pensar que quando um ente querido nos deixa, ele encerrou seu propósito na Terra, e que agora vai em direção do seu descanso eterno. E as crianças que morrem todos os dias? E os adolescentes que morrem todos os dias? E as garotas com problemas nos corações que morrem todos os dias? Todos eles já cumpriram seu destino aqui com a gente? Isso é muito injusto. Tudo que podemos fazer é sentar e observar a vida, pouco a pouco, deixando cada um de nós; uns mais rápidos do que os outros. A parte mais chata é não conseguir dizer adeus. Não simplesmente aquele adeus que você dá à pessoa antes que ela se vá, mas o adeus da sua mente, em que ela para de vir aos seus pensamentos todas as horas de todos os dias. O pior é imaginar a dor que o agora morto deve ter sofrido no ritual da passagem, e ficar se lamentando por tudo que possa ter acontecido em sua vida. Há pouco menos de seis meses, eu perdi a pessoa que me ajudou no momento que eu mais precisei. Até hoje eu me pergunto: “por que ela teve que ir embora?”. Eu garanto que se ela estivesse aqui, eu saberia sorrir com mais frequência, e ainda, poderia mostrar a ela tudo que eu consegui por causa da sua ajuda. Esse sentimento, saudades, é o verdadeiro monstro na vida, e não a morte. Todos nós iremos morrer algum dia, isso é certo. Mas, o que me magoa profundamente é saber que quando se morre você deixa esse sentimento de saudades para algum pobre infeliz que ainda está vivo. Quem vai conseguir descansar eternamente sabendo do mal que você faz aos vivos, os fazendo sentir a sua falta? Por que as pessoas morrem?

Eu sinto a sua falta, Barbara.

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