quarta-feira, 23 de julho de 2014

Descrônicas #29



Como nós ajudamos alguém que não quer ser ajudado? Uma pessoa que guarda suas mágoas todas para ela e nos deixa apenas com a tristeza da sua casca, é alguém inalcançável? Errado. Ela não está errada em guardar seus sentimentos ruins para ela. Ela não está errada em omitir isso de você. Cada um de nós tem um fardo de um tamanho que o outro sequer pode imaginar, então, apenas seja legal. “Mas eu quero ajudar”. A ajuda não vem do conhecimento dos problemas, mas do conhecimento das soluções. As pessoas que tentam ajudar não sabem o que dizer. E os ajudados não sabem o que querem ouvir. No final, acaba por ficarem duas pessoas deprimidas. Ninguém está salvo de passar por isso. Eu vivo isso. Tanto como ajudante, como o ajudado. Como ajudante eu sou persistente e irritante. Como ajudado sou teimoso e só. Não importa quão bom seja o seu conselho, ele primeiro vai ter que barrar a minha ignorância, e só aí, alcançar um ser racional que habita na minha cabeça. Mas, eu conheço os dois lados da moeda. Sabendo disso, eu reconheço também as pessoas que preferem se afogar na própria depressão a tentar nadar até a borda. Não podemos fazer ninguém criar vontade de nadar, mas, podemos drenar todas as impurezas para que no final sobre apenas a pessoa que precisa recomeçar. Sabe um jeito legal de alcançar a cabeça de alguém que não quer ajuda? Escreva alguma coisa que você sabe que fará bem ler. Pinte alguma coisa que você sabe que fará bem apreciar. Cante alguma coisa que você sabe que fará bem ouvir. Ajude uma pessoa que você sabe que faria o mesmo por você nessas condições.

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