sexta-feira, 25 de julho de 2014

Descrônicas #31



O que são barreiras emocionais? Distâncias impostas por nós mesmos, em volta do que nós mais queremos. O ato de ver um sonho como algo muito distante faz com que qualquer outro esforço para ser feliz, não tenha o mesmo valor. Olhar para algo e ver que você não pode tê-lo. Mas, ainda tem situação pior: seu sonho é uma pessoa. O que caracteriza a barreira em volta de uma pessoa? Não é um muro de cimento, muito menos um muro inexistente. O muro existe. Esse muro é composto por blocos de dor, coladas um no outro através de cimento de arrependimento; sem contar o acabamento de tristeza. Se você chegou ao ponto de não conseguir mais “sonhar”, você chegou ao fundo do poço. Ela está ali. Você construiu o muro em volta dela. Você se arrepende, e quer quebrar o muro. Lembra quanto tempo Berlim ficou dividida? Pois é, amigo. Você errou. Você arca com o erro. Veja-a ser o sonho de outro alguém. Veja-a ser uma estrela, mas, não no seu céu. Amigo, você ainda não percebeu? Você já esgotou suas ferramentas para quebrar essa muralha, mas, nada. Use as suas mãos. Castigue o seu corpo. Faça sentir na carne, o que a sua mente sentiu. Mesmo assim, você ainda não percebeu? Olhe a sua volta, amigo. Vê alguém? Nem eu. Você é que está bloqueado pelo muro, e não os seus sonhos. Ela ainda está livre, você é quem está preso. Como você vai fugir, amigo? Seus equipamentos estão quebrados. Suas mãos estão feridas. Seu coração também. Se ao menos houvesse alguém para te dar um impulso para você pular, mas, o muro prendeu apenas você. É possível ouvir as pessoas do lado de fora. Nenhuma delas grita por você. As vozes são familiares, mas, ainda assim, estranhas. Espera. Você ouviu? Ela está conversando com alguém. É, seu sonho está falando alto hoje. O que ela está dizendo? “Muros são construídos por vontade de alguém inseguro, e não por quem se perdeu.”. Até ela, cara. Você achou que isso seria bom. Isolar-se do mundo, não é? Olhe ao seu redor, agora. O seu muro que antes bloqueava todas as visões além das suas ilusões, agora te revelam o mundo exterior. É uma prisão de vidro. Você corre até a borda, e encontrá-la próxima à mesma. Ela está olhando para dentro. Você acena. Mas, ela não responde. Não foi porque ela não quer falar com você, mas, porque você não existe fora dessa prisão. Ela não pode ver o que não existe.

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