O que são barreiras emocionais? Distâncias impostas por nós
mesmos, em volta do que nós mais queremos. O ato de ver um sonho como algo
muito distante faz com que qualquer outro esforço para ser feliz, não tenha o
mesmo valor. Olhar para algo e ver que você não pode tê-lo. Mas, ainda tem
situação pior: seu sonho é uma pessoa. O que caracteriza a barreira em volta de
uma pessoa? Não é um muro de cimento, muito menos um muro inexistente. O muro
existe. Esse muro é composto por blocos de dor, coladas um no outro através de
cimento de arrependimento; sem contar o acabamento de tristeza. Se você chegou
ao ponto de não conseguir mais “sonhar”, você chegou ao fundo do poço. Ela está
ali. Você construiu o muro em volta dela. Você se arrepende, e quer quebrar o
muro. Lembra quanto tempo Berlim ficou dividida? Pois é, amigo. Você errou. Você
arca com o erro. Veja-a ser o sonho de outro alguém. Veja-a ser uma estrela,
mas, não no seu céu. Amigo, você ainda não percebeu? Você já esgotou suas
ferramentas para quebrar essa muralha, mas, nada. Use as suas mãos. Castigue o
seu corpo. Faça sentir na carne, o que a sua mente sentiu. Mesmo assim, você
ainda não percebeu? Olhe a sua volta, amigo. Vê alguém? Nem eu. Você é que está
bloqueado pelo muro, e não os seus sonhos. Ela ainda está livre, você é quem
está preso. Como você vai fugir, amigo? Seus equipamentos estão quebrados. Suas
mãos estão feridas. Seu coração também. Se ao menos houvesse alguém para te dar
um impulso para você pular, mas, o muro prendeu apenas você. É possível ouvir
as pessoas do lado de fora. Nenhuma delas grita por você. As vozes são familiares,
mas, ainda assim, estranhas. Espera. Você ouviu? Ela está conversando com alguém. É, seu sonho está falando alto
hoje. O que ela está dizendo? “Muros são construídos por vontade de alguém
inseguro, e não por quem se perdeu.”. Até ela, cara. Você achou que isso seria
bom. Isolar-se do mundo, não é? Olhe ao seu redor, agora. O seu muro que antes
bloqueava todas as visões além das suas ilusões, agora te revelam o mundo
exterior. É uma prisão de vidro. Você corre até a borda, e encontrá-la próxima
à mesma. Ela está olhando para dentro. Você acena. Mas, ela não responde. Não
foi porque ela não quer falar com você, mas, porque você não existe fora dessa
prisão. Ela não pode ver o que não existe.
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