sexta-feira, 25 de julho de 2014

Descanso da rotina

Meu peito dói um pouco
Tento respirar profundamente
Mas nada consegue me convencer
Convencer minha mente

O quarto está escuro do modo que eu gosto
A mesma cadeira desconfortável de todas as noites
A mesma tela luminosa da vida inteira
Os mesmos dedos cansados de tanto digitar

Minhas criações não saem com clareza
Nos meus textos, sempre a mesma incerteza:
“O que você está fazendo?”
Não sei.

Ultimamente não sei nem o que eu estou vestindo
Acho que se não fosse por causa de compromissos sociais
Eu passaria dias sem me lembrar do que é um chuveiro
E a única água que escorreria pelo meu corpo,
Seria o suor, reclamando a sua saída.

Cá estou: mais um dia sem saber o que eu estou escrevendo
Por que é tão difícil entender o que nós mesmos fazemos?
No início você tem certeza de tudo que quer
No meio você já começa a pensar sobre aquela festa que não foi
No final, você apenas se lamenta.

Essas noites já foram apelidadas como gloriosas
O simples ato de perder-se nas horas da matina
Ainda dentro da minha casa, do meu quarto
Ainda dentro da minha cabeça.

Se me arrependo de ter escolhido isso?
Não, eu já me acostumei
Mas de uma coisa eu sei:
Meu peito dói um pouco.

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