sexta-feira, 25 de julho de 2014

Descanso da rotina

Meu peito dói um pouco
Tento respirar profundamente
Mas nada consegue me convencer
Convencer minha mente

O quarto está escuro do modo que eu gosto
A mesma cadeira desconfortável de todas as noites
A mesma tela luminosa da vida inteira
Os mesmos dedos cansados de tanto digitar

Minhas criações não saem com clareza
Nos meus textos, sempre a mesma incerteza:
“O que você está fazendo?”
Não sei.

Ultimamente não sei nem o que eu estou vestindo
Acho que se não fosse por causa de compromissos sociais
Eu passaria dias sem me lembrar do que é um chuveiro
E a única água que escorreria pelo meu corpo,
Seria o suor, reclamando a sua saída.

Cá estou: mais um dia sem saber o que eu estou escrevendo
Por que é tão difícil entender o que nós mesmos fazemos?
No início você tem certeza de tudo que quer
No meio você já começa a pensar sobre aquela festa que não foi
No final, você apenas se lamenta.

Essas noites já foram apelidadas como gloriosas
O simples ato de perder-se nas horas da matina
Ainda dentro da minha casa, do meu quarto
Ainda dentro da minha cabeça.

Se me arrependo de ter escolhido isso?
Não, eu já me acostumei
Mas de uma coisa eu sei:
Meu peito dói um pouco.

Descrônicas #31



O que são barreiras emocionais? Distâncias impostas por nós mesmos, em volta do que nós mais queremos. O ato de ver um sonho como algo muito distante faz com que qualquer outro esforço para ser feliz, não tenha o mesmo valor. Olhar para algo e ver que você não pode tê-lo. Mas, ainda tem situação pior: seu sonho é uma pessoa. O que caracteriza a barreira em volta de uma pessoa? Não é um muro de cimento, muito menos um muro inexistente. O muro existe. Esse muro é composto por blocos de dor, coladas um no outro através de cimento de arrependimento; sem contar o acabamento de tristeza. Se você chegou ao ponto de não conseguir mais “sonhar”, você chegou ao fundo do poço. Ela está ali. Você construiu o muro em volta dela. Você se arrepende, e quer quebrar o muro. Lembra quanto tempo Berlim ficou dividida? Pois é, amigo. Você errou. Você arca com o erro. Veja-a ser o sonho de outro alguém. Veja-a ser uma estrela, mas, não no seu céu. Amigo, você ainda não percebeu? Você já esgotou suas ferramentas para quebrar essa muralha, mas, nada. Use as suas mãos. Castigue o seu corpo. Faça sentir na carne, o que a sua mente sentiu. Mesmo assim, você ainda não percebeu? Olhe a sua volta, amigo. Vê alguém? Nem eu. Você é que está bloqueado pelo muro, e não os seus sonhos. Ela ainda está livre, você é quem está preso. Como você vai fugir, amigo? Seus equipamentos estão quebrados. Suas mãos estão feridas. Seu coração também. Se ao menos houvesse alguém para te dar um impulso para você pular, mas, o muro prendeu apenas você. É possível ouvir as pessoas do lado de fora. Nenhuma delas grita por você. As vozes são familiares, mas, ainda assim, estranhas. Espera. Você ouviu? Ela está conversando com alguém. É, seu sonho está falando alto hoje. O que ela está dizendo? “Muros são construídos por vontade de alguém inseguro, e não por quem se perdeu.”. Até ela, cara. Você achou que isso seria bom. Isolar-se do mundo, não é? Olhe ao seu redor, agora. O seu muro que antes bloqueava todas as visões além das suas ilusões, agora te revelam o mundo exterior. É uma prisão de vidro. Você corre até a borda, e encontrá-la próxima à mesma. Ela está olhando para dentro. Você acena. Mas, ela não responde. Não foi porque ela não quer falar com você, mas, porque você não existe fora dessa prisão. Ela não pode ver o que não existe.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ela e você



Ela escreve coisas lindas e encantadoras,
Você, horríveis e assustadoras.
Ela tem a voz de sereia combinada com anjo,
Você, esganiçada que, das flores, quebra o arranjo.
Ela está rodeada de coisas belas,
Você, apenas observa da janela.
Ela tem problemas com a vida,
Você, apenas com uma medida.
Ela precisa de alguém para mostrar o seu caminho,
Você, alguém para comprar vinho.
Ela não precisa afogar as mágoas em lugar algum,
Você, não consegue se controlar em lugar nenhum.
Ela só precisa ouvir o que ninguém quer lhe falar,
Você, saber o que ela precisa escutar.
Ela não merece ficar sozinha em nenhum momento,
Você precisa a ajudar com esse sentimento.
Ela quer um amigo que possa a compreender,
Você, alguém que entenda sem repreender.
Ela não está bem,
Você, também.

Como num Ciclo

Me sento, sozinho, no meio da noite. 
Depois de um tempo, anoto meus problemas.
Tudo parece se ajeitar… Há detalhes que nunca valem a pena mencionar. 
A distância não me impede de guardar as suas feições. 

Me sento, sozinho, no meio da noite. 
Depois de um tempo, percebo meus padrões. Fujo das soluções… 
Há um detalhe que minha mente não permite escapar: 
As coisas que me custaram tanto não eram o que eu precisava. 

Me sento, sozinho, no meio da noite… Como num ciclo, 
Nem tudo que retorna aparece para te assombrar
E muito daquilo que vai embora ao menos deixa uma lição… 

Eu tenho sorte. 
Eu tenho gratidão.

Descrônicas #30



Já imaginou como seria legal sumir? Desaparecer dessa vida que a gente leva, e reaparecer num lugar com que a gente sonha? Sair de uma sala de aula e aparecer num apartamento cercado de neve na França? É, eu sonho com isso todos os dias. O poder de recomeçar/teletransporte/desaparecer/invisibilidade é agradável aos olhos. Sonhar com isso todos os dias faz parte da árdua tarefa de ser humano, e lidar com as suas inexistências também. Muitos de nós queremos fugir de diversos problemas que nos assombram todos os dias, enquanto alguns, só querem um tempo para si mesmo. Às vezes não precisa nem ter motivo, mas o simples estar em outro lugar aleatório do mundo seria muito legal. Uma cabana no meio do nada com uma paisagem nívea, e ainda com uma coleção de livros? Adoraria. Mas, nós temos que viver a triste realidade em que nossas vidas se baseiam e seguem o seu curso. Imaginar os poderes acima citados é um passatempo doloroso, já que eles ficarão apenas nos pensamentos. O único poder que nós realmente temos, é o poder de aguentar as mágoas que a vida nos proporciona e ainda criar forças para seguir em frente. Mas, eu ainda defendo isso: não me importaria nem um pouco em desaparecer.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Descrônicas #29



Como nós ajudamos alguém que não quer ser ajudado? Uma pessoa que guarda suas mágoas todas para ela e nos deixa apenas com a tristeza da sua casca, é alguém inalcançável? Errado. Ela não está errada em guardar seus sentimentos ruins para ela. Ela não está errada em omitir isso de você. Cada um de nós tem um fardo de um tamanho que o outro sequer pode imaginar, então, apenas seja legal. “Mas eu quero ajudar”. A ajuda não vem do conhecimento dos problemas, mas do conhecimento das soluções. As pessoas que tentam ajudar não sabem o que dizer. E os ajudados não sabem o que querem ouvir. No final, acaba por ficarem duas pessoas deprimidas. Ninguém está salvo de passar por isso. Eu vivo isso. Tanto como ajudante, como o ajudado. Como ajudante eu sou persistente e irritante. Como ajudado sou teimoso e só. Não importa quão bom seja o seu conselho, ele primeiro vai ter que barrar a minha ignorância, e só aí, alcançar um ser racional que habita na minha cabeça. Mas, eu conheço os dois lados da moeda. Sabendo disso, eu reconheço também as pessoas que preferem se afogar na própria depressão a tentar nadar até a borda. Não podemos fazer ninguém criar vontade de nadar, mas, podemos drenar todas as impurezas para que no final sobre apenas a pessoa que precisa recomeçar. Sabe um jeito legal de alcançar a cabeça de alguém que não quer ajuda? Escreva alguma coisa que você sabe que fará bem ler. Pinte alguma coisa que você sabe que fará bem apreciar. Cante alguma coisa que você sabe que fará bem ouvir. Ajude uma pessoa que você sabe que faria o mesmo por você nessas condições.